Você sabe o que é Open Banking?
Nós estamos vivendo em uma era disruptiva, na qual a tecnologia tem sido uma espécie de placa tectônica que coloca setores tradicionais de cabeça para baixo. Indústrias diversas já sofreram grandes impactos e estão se reinventando. Não seria diferente que esse terremoto atingisse, também, o sistema financeiro brasileiro – um dos mais concentrados do mundo.
Com o intuito de aumentar a bancarização da população brasileira, estimular a concorrência entre os grupos do setor, incentivar a democratização do crédito e diminuir os custos dos serviços financeiros, o Banco Central tem proposto uma agenda de regulamentações que provoca mudanças significativas no setor, sempre cuidando para que essas modificações sejam seguras para todos os envolvidos do ecossistema.
Um dos marcos mais importantes foi a regulamentação das fintechs que, desde abril de 2018, permite que essas startups possam se tornar Sociedades de Crédito Direto, ou seja, instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central. O assunto do momento, porém, é o “open banking”, que trará inúmeros benefícios para os consumidores brasileiros ao aumentar o poder de decisão do próprio consumidor. Lá fora, essa discussão começou em 2015.
E por que eu digo isso? No Brasil, os dados financeiros de um consumidor não pertencem a ele, mas sim à instituição financeira da qual ele é correntista. Ou seja, como que ele pode provar para os bancos concorrentes que ele tem condições de pagar, por exemplo, um empréstimo, se os bancos concorrentes não têm acesso aos dados da conta corrente ou de cartão de crédito dele?
O open banking parte de uma outra premissa. É essa a grande mudança a partir do momento em que o Banco Central regulamentar as regras deste novo jogo – estima-se que o modelo seja implementado no segundo semestre de 2020. Com o open banking, o consumidor será dono da sua vida financeira e poderá explorar essas informações da forma que for melhor a ele. A partir do momento que ele autorizar, instituições financeiras, fintechs e até ecommerces poderão acessar seus dados e oferecer serviços, produtos e até produzir conhecimento para que ele mesmo se beneficie disso.
Por exemplo, o Guiabolso é uma espécie de open banking, pois ele faz exatamente isso: ele cruza os dados das contas correntes de diferentes instituições financeiras e dos cartões de créditos dos usuários e devolve a informações de forma simplificada e facilitada para dono – o consumidor.
Essas transações ocorrerão através dos APIs, que são interfaces de programação que possibilitam que softwares de empresas diferentes se conectem. Um dos maiores exemplos de API é o Google Maps, que está “dentro” de vários aplicativos, como o app do Uber.
O consumidor terá maior poder de escolha de serviços e de produtos. E os bancos tradicionais enfrentarão mais concorrência. Será uma nova forma do consumidor se relacionar com o sistema financeiro no Brasil.
